“Ele é o sujeito oculto”, definiu o guardador de carros, Jailson Miranda, 29 anos, se referindo ao ‘velho do saco’ que ronda as ruas de João Pessoa e que popularmente é conhecido por ‘Sete Capas’. “Vejo ele vagando pelas ruas desde que eu era criança. Todos conhecem ele, mas poucos conseguem obter alguma informação dele”, completou.

Sob o sol forte de verão, uma parada em busca de alento, debaixo de uma oliveira. Em contraste com a intensa movimentação dos carros na avenida Beira Rio, na capital, os sacos são colocados ao chão e passam a ser um banco de descanso. Em um mundo à parte, os cadarços do tênis surrado são firmemente amarrados para mais uma caminhada sem destino. Pela Beira Rio, se segue na contramão da vida, enquanto os veículos se direcionam para o mesmo sentido, ‘Sete Capas’ carrega nas costas o peso de um saco cheio de histórias, tristezas, lamentos e solidão.

Um tanto reservado e de poucas palavras, ‘Sete Capas’ bloqueia a tentativa de um diálogo. Mas segundo relato de populares antigos da região, “ele era um homem de boas condições financeiras e de vida normal, até descobrir a traição da esposa”. Desde então, passou a andar pelas ruas, se desligando das necessidades básicas do ser humano, como saúde, higiene, alimentação e moradia.

Apesar das condições subumanas, sempre em companhia dos sacos, ‘Sete Capas’ frequentou por algum tempo a igreja Santa Júlia, no bairro da Torre, onde recebeu cuidados pessoais, como banho, corte de cabelo e novas roupas, na tentativa de ressocializá-lo, mas foi em vão, pois ele retornou para as ruas.

Há relatos ainda de que a vida desse ‘sujeito oculto’ já despertou o interesse de muitas pessoas, inclusive serviu de inspiração para interpretações em peças teatrais e documentários. Assim como o ‘velho do saco’, há alguns ‘personagens’ que podem ser vistos diariamente no mesmo lugar, fazendo a mesma coisa, o que apesar de toda essa movimentação rotineira, há quem os observe e os interprete como ponto de referência ou até mesmo um detalhe em um determinado cenário urbano.

A história de anônimos, como o ‘velho do saco’, que atrai a atenção diária dos pessoenses segue vários caminhos diferentes. Quem nunca encontrou nos ônibus de João Pessoa, um jovem moreno com um pandeiro em mãos, pronto para fazer uma embolada?

‘Faísca do Pandeiro’, que na verdade se chama José Ricardo, é um dos ‘anônimos’ mais conhecidos da cidade. Sua fama já rendeu o documentário ‘Faísca – De Mundo Afora’, cuja divulgação é feita através de mídias digitais e redes sociais, como YouTube e Facebook.

O homem da flauta, na esquina do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), o vendedor de cofres, em frente ao Lyceu Paraibano, vendedor de balas que fica em frente à caixa d’água da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa), na rua Diogo Velho, o vendedor de saias e cangas nas praias urbanas – conhecido por ‘Sainha’, a mudinha da bala, que acompanha a movimentação noturna das casas de shows e boates, o senhor que há mais de dois anos está com o pé engessado, visto diariamente no Manaíra Shopping, são alguns dos que compõem a lista dessas pessoas que por já terem caído nas graças e na memória do povo, nem são tão anônimas assim.

Voltando a falar sobre o ‘Velho do Saco’, há relatos que um amigo de infância doou uma casa para ele no bairro do Geisel, deu comida diariamente, colocou até uma diarista para cuidar da casa, mas em 15 dias o ‘galego’, como também é conhecido, sumiu.

Ultimamente o Velho do Saco tem sido visto no bairro de Cruz das Armas, nas proximidades da maternidade Frei Damião, e também nas proximidades do Hotel Tambaú.

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Portal do Litoral com Jaine Alves (JP Online)

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