SANEAMENTO BÁSICO: CG está em 28º lugar entre as 100 cidades do Brasil que investem até 30% do orçamento

A cidade de Campina Grande, no Agreste da Paraíba, aparece em destaque num ranking que é um dos mais sofríveis de uma administração pública municipal, o saneamento básico. O município...


A cidade de Campina Grande, no Agreste da Paraíba, aparece em destaque num ranking que é um dos mais sofríveis de uma administração pública municipal, o saneamento básico. O município está entre os 100 maiores do Brasil, avaliados com bom sistema de saneamento. Das 100 cidades, 70 reinvestem menos de 30% do que arrecadam no setor. Apenas cinco investem 60% ou mais na melhoria dos serviço. São tão poucas que são consideradas “outliers” pelo estudo, ou seja, atípicas ou “fora da curva” da tendência geral.

O estudo é do Instituto Trata Brasil e da GO Associados e foi divulgado nesta terça-feira (23). A pesquisa foi feita com base nas 100 cidades que concentram 40% da população do país e nos dados mais recentes do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), referentes ao ano de 2017. A maior parte das grandes cidades do país tem um baixo nível de reinvestimento no setor de saneamento básico.

Isso quer dizer que, do valor arrecadado, apenas uma pequena parcela é utilizada para fazer melhorias no serviço, como a manutenção e a troca de redes e a expansão dos atendimentos. A maior parte é gasta com pagamento de funcionários ou insumos, como produtos químicos. Veja:

Segundo Édison Carlos, presidente executivo do Instituto Trata Brasil, o baixo investimento no setor compromete o acesso da população aos serviços de água e esgoto. Isso porque, sem investimento, o sistema não avança para atender as pessoas que ainda não têm acesso e, sem manutenção, as redes existentes têm mais vazamentos ou falhas.

“Está investindo em saneamento? Não? Então a cidade não vai sair daquela situação nunca. Uma cidade mais próxima da universalização pode até se dar ao luxo de usar o dinheiro arrecadado para virar caixa e lucro para acionista. O duro é a cidade em uma situação ruim que não investe nada do que arrecada porque o dinheiro vai pagar funcionário e produto químico”, diz Édison Carlos, do Instituto Trata Brasil.

O Brasil ainda apresenta quase 35 milhões de brasileiros sem acesso à água tratada e quase 100 milhões sem coleta de esgoto. Além disso, apenas 46% dos esgotos gerados nos país são tratados.

As maiores cidades do país, que, segundo o estudo, deviam ser exemplo de evolução no setor por terem melhores condições econômicas e de infraestrutura para fazer planejamentos e grandes obras de saneamento, têm a maioria dos índices acima da média nacional, mas, mesmo assim, aquém do esperado. Veja a comparação nos gráficos abaixo:

Somente 46 cidades têm mais de 80% da população com coleta de esgoto, e mais de 80 têm perdas de água potável no sistema de distribuição superiores a 30%. Isso quer dizer que, a cada 100 litros de água tratada, 30 são perdidos em vazamentos e fraudes.

Leia o restante da matéria aprofundada e a relação das 100 cidades aqui.

Redação PB Debate com G1

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