O ex-assessor e amigo pessoal do presidente Michel Temer, José Yunes foi preso pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (29). 

A prisão foi determinada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso. A ordem de prisão temporária determina que Yunes fique na cadeia por cinco dias. 

O advogado de José Yunes, José Luis Oliveira Lima, afirmou, em nota, que a prisão do ex-assessor é “inaceitável”. “É inaceitável a prisão de um advogado com mais de cinquenta anos de advocacia e vida pública e que sempre que intimado ou mesmo espontaneamente compareceu à todos os atos para colaborar. Essa prisão ilegal é uma violência contra José Yunes e contra a cidadania”, dizia em um trecho do documento. 

Procurada pelo R7, a assessoria da PF afirmou que, por determinação do STF, não vai se manifestar sobre a prisão. 

“Mula involuntária”

Yunes é citado no inquérito do decreto dos Portos, que apura a edição de um decreto que teria beneficiado empresas do setor de portos. 

O ex-assessor foi acusado pelo operador financeiro Lucio Funaro de receber R$ 1 milhão em seu escritório de advocacia em São Paulo, em 2014.

“Ele [Yunes] tinha certeza que era dinheiro, ele sabia que era dinheiro, tanto que ele perguntou se meu carro estava na garagem, porque ele não queria que eu corresse risco de sair com a caixa para a rua. E até pelo próprio peso da caixa, para um volume de R$ 1 milhão, é uma caixa bem pesada”, afirmou Funaro em declaração feita ao Ministério Público Federal no dia 23 de agosto.

O ex-assessor de Temer, porém, disse ter sido “mula involuntário” do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, e que não tinha conhecimento do conteúdo do envelope, supostamente com dinheiro.

Em dezembro de 2016, Yunes pediu demissão ao cargo de assessor de Temer após ser citado na delação do ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht Cláudio Melo Filho. 

Giuliana Saringer, do R7

 

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