O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 36% das intenções de voto, e o senador Flávio Bolsonaro (PL), com 29%, em um dos cenários de primeiro turno da pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira, 7 de setembro. O levantamento foi encomendado pela Globo e chega a menos de um mês da votação marcada para 4 de outubro.
Na mesma simulação, o escritor Augusto Cury (Avante) registra 8%. Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) têm 3% cada, enquanto Romeu Zema (Novo) aparece com 2%. Samara Martins marca 1%. Edmilson Costa, Rui Costa Pimenta, Wilson Grassi, Clariana Barão e Hertz Dias aparecem com 0% após o arredondamento.
Oito por cento dos entrevistados disseram que votariam em branco, anulariam ou não compareceriam, e 10% se declararam indecisos. Esses dois grupos somam 18% da amostra e ajudam a explicar por que o retrato da disputa ainda pode mudar durante as semanas finais da campanha.
O que a pesquisa Quaest mostra no primeiro turno
A diferença numérica entre Lula e Flávio Bolsonaro é de sete pontos percentuais neste cenário. Como a margem de erro informada é de dois pontos para mais ou para menos, os intervalos estimados dos dois candidatos não se sobrepõem: Lula varia de 34% a 38%, e Flávio, de 27% a 31%. Isso indica uma liderança de Lula na fotografia feita pelo levantamento, mas não permite antecipar o resultado das urnas.
Em relação à rodada divulgada em 2 de setembro, Lula oscilou de 37% para 36%, enquanto Flávio permaneceu em 29%. Cury foi de 10% para 8%; Renan continuou em 3%; Caiado passou de 1% para 3%; e Zema, de 1% para 2%. Variações de um ou dois pontos devem ser lidas com cautela, porque estão dentro da margem de erro e podem refletir flutuação amostral, não necessariamente uma mudança real do eleitorado.
A Quaest também testou uma configuração com Pablo Marçal. Nela, os dois primeiros colocados mantiveram os mesmos percentuais: Lula com 36% e Flávio Bolsonaro com 29%. Cury ficou com 8%; Renan, Caiado e Zema repetiram 3%, 3% e 2%, respectivamente. Marçal e Samara marcaram 1% cada. Indecisos foram 9%, e branco, nulo ou ausência, 8%.
O dado sugere que a inclusão de Marçal, nessa amostra e nesse momento, não alterou a posição dos líderes. Ainda assim, cada cenário é uma pergunta distinta e não deve ser somado ou comparado como se fosse uma única votação.
Como a pesquisa foi feita
O instituto ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em todas as regiões do país, entre 3 e 6 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança informado é de 95%. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-01720/2026.
O nível de confiança de 95% não significa que cada número tenha 95% de chance de ser exatamente aquele. Ele indica que, se pesquisas com o mesmo método fossem repetidas muitas vezes, a grande maioria produziria intervalos capazes de conter o valor estimado na população. Além da margem amostral, respostas podem ser influenciadas pelo momento da entrevista, pela formulação das perguntas e pela decisão de participar.
As regras do Tribunal Superior Eleitoral determinam que pesquisas destinadas ao conhecimento público sejam registradas no PesqEle antes da divulgação. O registro reúne informações como contratante, responsável estatístico, abrangência, plano amostral e período de coleta. A existência do registro permite fiscalização, mas não transforma uma pesquisa em previsão oficial do resultado.
Voto espontâneo revela disputa menos definida
Quando os nomes dos candidatos não são apresentados ao entrevistado, Lula aparece com 28% e Flávio Bolsonaro, com 20%. Cury é citado por 4%, e outros nomes, somados, chegam a 5%. O maior grupo é o dos que ainda não sabem em quem votar: 42%. Branco, nulo ou intenção de não votar representa 1%.
A diferença entre a pergunta estimulada e a espontânea é útil para medir quanto os nomes já estão presentes na memória do eleitor. Ela não significa que 42% estejam necessariamente disponíveis para qualquer candidatura. Parte desse público pode ter preferência ainda não consolidada, responder apenas mais perto da eleição ou decidir não comparecer.
A pesquisa perguntou também se a escolha já é definitiva. No total, 71% afirmaram que não pretendem mudar o voto, enquanto 29% disseram que ainda podem mudar. Entre eleitores de Lula, 80% classificaram a escolha como definitiva; entre os de Flávio, o índice foi de 78%. Cury tem um eleitorado mais dividido: 49% dizem estar decididos e 51% admitem mudança.
Entre apoiadores de Renan Santos, 59% ainda podem rever a decisão. No grupo de Caiado, esse percentual é de 61%. As bases menores, portanto, apresentam maior mobilidade declarada, um elemento que pode afetar o desempenho dos candidatos na reta final.
Rejeição e avaliação do governo entram na leitura
Flávio Bolsonaro registra rejeição de 55%, e Lula, de 53%. Pablo Marçal aparece com 45%; Caiado, com 41%; Zema, com 39%; Renan Santos, com 29%; e Cury, com 26%. A rejeição mede quem o entrevistado diz que não escolheria de jeito nenhum, mas não deve ser subtraída diretamente da intenção de voto para produzir um placar hipotético.
O levantamento também registrou 50% de desaprovação ao governo Lula e 43% de aprovação. Na avaliação geral, 38% consideram a administração negativa, 34% positiva e 25% regular; 3% não responderam. Sobre a economia nos 12 meses anteriores, 49% disseram que piorou, 29% que permaneceu igual e 19% que melhorou.
Esses indicadores ajudam a contextualizar o ambiente político, mas não estabelecem uma relação automática de causa e efeito com o voto. Um eleitor pode desaprovar um governo e ainda assim escolher seu candidato, ou aprová-lo e optar por outro nome por razões locais, partidárias ou pessoais.
Por que pesquisa não é previsão do resultado
Uma pesquisa eleitoral é uma fotografia da opinião declarada durante determinado período. Campanha na televisão, debates, fatos econômicos, eventos políticos e decisões pessoais podem mudar o cenário até o dia da votação. O resultado oficial será produzido apenas pela apuração dos votos válidos depositados nas urnas.
Também é importante não confundir percentuais sobre o total de entrevistados com percentuais de votos válidos. Na eleição, votos brancos e nulos são excluídos do cálculo usado para definir se alguém venceu no primeiro turno. A pesquisa apresentada aqui inclui indecisos, brancos, nulos e quem afirma que não votará, por isso seus números não podem ser transpostos diretamente para o placar eleitoral.
O Portal TV Cariri acompanhará as próximas pesquisas sem transformar cada oscilação dentro da margem de erro em mudança de cenário. Uma nova rodada só justificará atualização quando trouxer fato material, alteração relevante ou informação metodológica capaz de mudar a compreensão do leitor.
Perguntas frequentes sobre a Quaest
Quem lidera a pesquisa de 7 de setembro?
Lula aparece com 36% e Flávio Bolsonaro com 29% no cenário de primeiro turno destacado pela Quaest. A diferença numérica é de sete pontos.
Qual é a margem de erro?
A margem informada é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. Ela deve ser aplicada a cada percentual, não à diferença entre candidatos de maneira automática.
Quantas pessoas foram entrevistadas?
Foram ouvidas 2.004 pessoas com 16 anos ou mais, entre 3 e 6 de setembro, em abrangência nacional.
A pesquisa já define quem vencerá?
Não. Ela registra respostas dadas durante o período de coleta e não substitui o resultado da eleição. Mudanças de opinião e acontecimentos posteriores podem alterar o quadro.
Por que o número de indecisos importa?
Porque 10% ainda não escolheram um nome na pergunta estimulada, e 42% não citaram espontaneamente um candidato. Os dois indicadores medem situações diferentes, mas mostram que parte do eleitorado ainda não está plenamente consolidada.


