‘Não existe plano de fazer mais músicas’, diz Bruno Medina em JP

Olha lá, quem vem do lado oposto… São os Los Hermanos. Após quatro anos longe dos palcos e há 13 sem vir a João Pessoa, o grupo volta a se...

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Olha lá, quem vem do lado oposto… São os Los Hermanos. Após quatro anos longe dos palcos e há 13 sem vir a João Pessoa, o grupo volta a se apresentar na capital paraibana neste sábado (13). O show acontece no Espaço Cultural e faz parte da turnê que irá passar por nove cidades em todo país.

A reportagem do Portal Correio bateu um papo com o tecladista da banda Bruno Medina, que fez um apanhado sobre a carreira, a volta do grupo aos palcos e outros assuntos.

Confira a entrevista abaixo:

Portal Correio: Após um intervalo de praticamente quatro anos, vocês voltam a fazer uma turnê juntos. De quem partiu a ideia e por que?

Bruno Medina: A ideia surgiu de maneira mais ou menos coletiva, num encontro que tivemos no Rio, em 2017. Na ocasião, por um acaso, estávamos todos simultaneamente na cidade e decidimos celebrar essa coincidência. Conversa vai, conversa vem, lá pelas tantas, alguém puxou: “por que não fazemos outra turnê?”. A partir de então costuramos as agendas e cá estamos.

PC: Recentemente vocês lançaram uma nova música, com autoria do Marcelo Camelo. Ela tem uma pegada do sentimento e traços de melancolia que marcam algumas musicas do Los Hermanos, mas traz um quê de uma pegada mais pop e outras influências. Como foi o processo de criação desta música?

BM: O Marcelo compôs a música há algum tempo, e lhe pareceu algo que soaria bem com a banda, mas não havia no momento a intenção de lançar algo novo com o Los Hermanos. Um pouco antes dos ensaios começarem ele nos mandou uma demo, voz e violão por WhatsApp e nos apaixonamos pela música. Combinamos na ocasião que durante os ensaios tentaríamos tocá-la um pouco, para ver no que dava. E eis que aí está.

PC: É claro que a música nova (Corre, corre) estará na turnê, mas os fãs já se perguntam: vai parar por aí ou vem outro álbum?

BM: No momento não existe nenhum plano de fazer mais músicas. Acho que seria difícil surgir um álbum agora, dados os caminhos profissionais que cada um escolheu. Na sequência desta turnê, Rodrigo e Marcelo se dedicarão a lançar discos de suas carreiras solos, as agendas não colaboram nesse sentido. Isso não descarta, no entanto, a possibilidade de, futuramente, termos novas músicas, apenas não vejo isso acontecendo por agora.

PC: A música foi lançada, sem aviso prévio, nas principais plataformas de streaming, o que hoje é bastante utilizado. Mas vocês já disponibilizam canções suas em seu próprio site. Lembro de ter decorado “O bloco do eu sozinho”  e “Ventura” ouvindo através do seu site. Então a relação com a internet é presente há um tempo em vosso trabalho. Como vocês enxergam este mercado? Ao mesmo tempo, o vinil volta a ganhar certa força em determinadas áreas. Como você veem isto?

BM: Sendo muito sincero, nosso objetivo principal sempre foi democratizar ao máximo o acesso a nossa música. Sou um grande fã do streaming, apesar do mesmo remunerar muito mal os artistas. Creio que há de se encontrar um equilíbrio melhor nesse sentido, mas por enquanto é mais positivo do que negativo o modelo atual. Lançamos uma música nova na terça e, na sexta, tocando em Salvador, metade da plateia já sabia a letra de cor. Isso é algo muito poderoso, que só o meio digital permite. Toda nossa discografia está lançada em vinil, o que nos deixa muito satisfeitos, dada a qualidade sonora e gráfica que conseguimos atingir. O vinil traz muito fortemente o conceito de álbum, aquele em que a imagem da capa tem relevância, que a lista das músicas é pensada para ser ouvida numa certa ordem, tudo que o streaming “matou”. Não me considero um saudosista, acho que cada tempo traz suas vantagens e desvantagens, cabe a nós, artistas, nos adaptarmos.

PC: Como é voltar a João Pessoa após um longo tempo?

BM: João Pessoa é uma cidade muito agradável, em que tocamos poucas vezes. Tenho lembranças muito positivas dos shows, do carinho do público. Acho que esse retorno depois de tantos anos sinaliza a abrangência dessa turnê, quisemos incluir o maior número de cidades possível e termos viabilizado uma passagem pela Paraíba dessa vez nos deixou muito felizes

PC: O Los Hermanos marcou gerações. Vocês concordam com esta afirmação?

BM: Resisto um pouco a filosofar sobre o legado artístico da banda, mas acho, sim, que nossas músicas conseguiram atravessar as duas últimas décadas de uma maneira bastante positiva. Quando perguntamos nos shows quem esta ali pela primeira vez, percebo ser o caso de 40% a 50% da plateia e isso é incrível. Com certeza houve uma renovação, afinal sem ela seria impossível conseguirmos chegar até aqui. Na última década praticamente não houve nenhum esforço em promover nosso repertório, o que me leva a crer que nossa música passou de uma geração para a outra através de pais que as tocavam para seus filhos, de irmãos mais velhos e primos que as introduziram para seus entes mais novos. Essa constatação nos orgulha muito e nos faz crer que conseguimos compor músicas que de fato ressoam na vida das pessoas.

PC: Alguns críticos de vosso trabalho apontam as músicas da banda como melancólicas ou “sentimental demais”. Como vocês enxergam isto? Não é o que se vê nos shows, por exemplo.

BM: Não é uma crítica em especial que nos incomoda, de modo geral não me parece demérito algum compor músicas melancólicas, ou que retratem sentimentos de tristeza ou introspecção. Isso de alguma forma pode estar por trás da relação que os fãs têm com as nossas letras, talvez porque se identifiquem em nível mais profundo com as narrativas, que os tocam em nível pessoal. Olha, o que mais tem é gente fazendo músicas pra tirar o pé do chão, então que bom que estamos aí pra fazer um contraponto. O que seria do azul se todos gostassem do amarelo, né?

PC: Após a parada da banda, todos seguiram rumos próprios. Como conciliar isto agora? E vai ter trabalhos externos de vocês trazidos para o Los Hermanos?

BM: Sempre é difícil o exercício de conciliar a dedicação ao Los Hermanos com os compromissos atuais de cada um, mas felizmente até agora temos conseguido, talvez não com a frequência que realmente gostaríamos. Acho que as influências externas no Los Hermanos e vice versa são muito naturais, visto que é um pouco difícil evitar que nossas vivências artísticas se reflitam em todos os contextos em que atuamos.

PC: A turnê coincide com os 20 anos do primeiro álbum. Foi proposital?

BM: Não, foi totalmente coincidências, mas quando nos demos conta disso resolvemos incluir algumas músicas a mais no repertório do nosso disco de estreia. É impressionante como depois de 20 anos essas músicas ainda são conhecidas e tem força. São um contraponto importante nos shows.

Serviço:

JOÃO PESSOA/PB (13/abril)
Local: Espaço Cultural
ClassificaçãoEtária: 16 anosdesacompanhado (6 anos a 15 anosacompanhados de paioumãe)
Abertura da Casa: 18h
Show: 21h30

VALORES DOS INGRESSOS:

ARENA
R$ 110 (meia-entrada)
R$ 220 (inteira)

MEZANINO
R$ 210 (meia-entrada)
R$ 420 (inteira)

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