O vice-prefeito de João Pessoa e ex-deputado federal, Manoel Junior (PSC), quebrou o silêncio e negou, neste sábado (10), ter qualquer tipo de participação em um suposto esquema de recebimento de propina, alvo das investigações da Operação Lava Jato. Nessa sexta-feira (9), o político teve um mandado de busca cumprido pela Polícia Federal em seu apartamento em João Pessoa.

Na nota, Manoel Junior disse desconhecer o processo e garantiu nunca ter recebido doação ou qualquer tipo de contribuição da empresa JBS. Ele também afirmou que a ação que culminou com a busca e apreensão em sua residência foi derivada de depoimento em colaboração premiada do Sr. Lúcio Funaro, a quem não conhece e nunca teve qualquer tipo de relação.

O vice-prefeito revelou que seus advogados estão diligenciando em Brasília para buscar informações sobre o processo e que após ter acesso aos autos, fará nova manifestação pública.

Depoimentos de doleiro instigaram apurações

As investigações tomam como base a delação premiada de Lúcio Bolonha Funaro, que apontaram supostos pagamentos de propina a servidores públicos e agentes políticos com atuação direta ou indireta no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) em 2014 e 2015. O principal alvo da Operação Capitu é o vice-governador de Minas Gerais, Antonio Andrade (MDB), que na época era o responsável pela pasta, no governo Dilma Rousseff (PT).

A Polícia Federal divulgou que as propinas tinham como objetivo favorecer interesses de empresários de um grande grupo empresarial do ramo de processamento de proteína animal. “O grupo empresarial teria pago dois milhões de reais pela regulamentação da exportação de despojos e cinco milhões pela proibição do uso da ivermectina de longa duração. Um deputado federal da Paraíba à época dos fatos teria recebido 50 mil reais do grupo como contrapartida, em decorrência da tentativa de promover a federalização das inspeções sanitárias de frigoríficos por meio de uma emenda, cujo objeto tinha natureza totalmente diversa do escopo da Medida Provisória nº 653/2014 na qual foi inserida”, diz a nota oficial da polícia.

O site do Congresso Nacional mostra que Manoel Junior dividiu com o também, na época, deputado federal Eduardo Cunha (MDB-RJ) a relatoria da Comissão Mista que avaliava esta Medida Provisória na Câmara Federal. Nas declarações de bens feitas por Manoel Junior em 2016, quando ele concorreu ao cargo de vice-prefeito, consta um apartamento no Edifício Fontana di Mare, mesmo residencial onde a Polícia Federal cumpriu mandados judiciais na manhã desta sexta.

Confira a nota, na íntegra:

Nota

Em referência às notícias veiculadas sobre o mandado de busca e apreensão cumprido em imóvel de minha propriedade na manhã desta quinta-feira (09), as quais, de forma leviana e irresponsável, colocaram sob suspeição o exercício da minha atividade parlamentar enquanto deputado federal, venho a público, por meio da presente, me posicionar:

1 – Segundo soube pela imprensa, a ação foi derivada de depoimento em colaboração premiada do Sr. Lúcio Funaro.

2 – Não conheço, não tenho, nem nunca tive qualquer tipo de relação com esta pessoa.

3 – Jamais recebi doação ou qualquer tipo de contribuição da JBS para minhas campanhas.

4 – Meus advogados estão diligenciando em Brasília para buscar informações sobre o processo, que desconheço.

5 – Após ter acesso aos autos, ciente das circunstâncias que levaram a esta abusiva ação, farei nova manifestação.

6 – Nas funções públicas que exerci e na minha vida privada jamais pratiquei qualquer ato à margem da lei. O sentimento é de absoluta indignação. De outro lado, confiando na Justiça, coloco-me inteiramente à disposição de todas as Autoridades para quaisquer esclarecimentos em busca da verdade, que demonstrará, indubitavelmente, que nenhum ilícito foi cometido por mim seja no exercício ou não das minhas funções.

7 – Afirmo, com serenidade e segurança, que minhas atividades parlamentares nunca ultrapassaram os limites legais. Mantenho a tranquilidade de quem nada deve. As investigações demonstrarão que eventuais acusações contra minha pessoa, as quais desconheço, repito, serão devidamente esclarecidas provando que nenhuma irregularidade pratiquei.

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