A adolescente de 16 anos, responsável por registrar uma suposta tentativa de sequestro do filho em outubro deste ano que resultou em um boato envolvendo um repórter na cidade de Monteiro, no Cariri paraibano, vai responder por denunciação caluniosa e falsa comunicação de crime. Conforme o delegado responsável pelo caso, Gilson Duarte, a jovem mentiu ao afirmar que o carro do repórter tinha participado da tentativa de sequestro. A informação foi confirmada pela Polícia Civil nesta terça-feira (18).

No dia 10 de outubro deste ano, a adolescente foi até a delegacia de Monteiro registrar que um carro preto estava seguindo ela e seu filho, que estava em um carrinho de bebê, pelas ruas da cidade. O fato foi considerado pela jovem como uma tentativa de sequestro. À época um boato semelhante circulava pela região e um outro caso semelhante havia sido registrado na delegacia de Serra Branca, cidade próxima a Monteiro.

Na ocasião, a adolescente registrou que um carro com as placas do veículo usado pelo repórter José Ismas, estudante de jornalismo, estava envolvido no caso. A denúncia se espalhou pela cidade e José Ismar chegou a ser hostilizado por moradores.

O repórter chegou a fazer um Boletim de Ocorrência para resguardar sua integridade física, temendo a hostilidade na cidade. José Ismar relatou que a informação errada foi repassada pela mãe da criança que teria sido vítima e posteriormente divulgada pelo delegado do caso para os veículos de comunicação.

Boletim de ocorrência foi registrado pelo repórter após ser vítima de boato em Monteiro — Foto: Reprodução

Boletim de ocorrência foi registrado pelo repórter após ser vítima de boato em Monteiro — Foto: Reprodução

De acordo com o delegado Gilson Duarte, após ouvir depoimentos de todos os envolvidos no caso e obter imagens gravadas por câmeras de segurança dos locais por onde a adolescente relatou ter passado com a criança, ficou confirmado pela Polícia Civil que o crime denunciado pela adolescente não tinha ocorrido.

“A gente queria deixar destacado a responsabilidade em imputar um crime a uma pessoa, como foi o caso da suposta vítima. Pedimos nesse caso a ajuda da imprensa para conscientizar a população com relação a gravidade desse fato. Houve um grande problema para o Ismar, eu cito isso no relatório do caso, coloco que ele poderia ter sido linchado, ter sofrido consequências mais graves”, comentou o delegado.

José Ismar comentou que o esclarecimento do que tinha sido denunciado como sequestro faz com que ele fique menos preocupado com qualquer tipo de reação por parte da população. “Eu me sinto mais tranquilo, mas não me sinto seguro. Houve uma repercussão muito grande, até que eu consiga confirmar para as pessoas que se tratava de um boato, que o inquérito confirmava que era um boato, vai levar muito tempo”, lamentou o repórter.

Ainda de acordo com o repórter, “o sentimento é de indignação pelo transtorno causado pelo fake news que foi gerado a partir denúncias sem base ou provas que levaram o delegado a gravar vídeo divulgando informações que nem eles mesmo tinham certeza”, explicou.

A vítima do boato confirmou que vai procurar a Justiça para que haja reparação de indenização. “Vou buscar meus direitos, pois até esse momento tem pessoas que acreditam que eu tenho envolvimento com sequestro de crianças. Quero que esse estrago seja minimamente reparado”.


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