Darren Elias conhece muito de pôquer. O jogador de 32 anos é a única pessoa que ganhou quatro títulos do World Poker Tour e ganhou mais de US $ 7 milhões em torneios. Mas bots de inteligência artificial nunca tinham concorrido contra ele nessas competiçõesb- até agora.

Elias e outro profissional, Chris “Jesus” Ferguson, participaram de um teste do bot Pluribus criado pela Universidade Carnegie Mellon e o Facebook; Eles jogaram 5.000 mãos pela internet, em jogos de seis jogadores, sendo cinco deles cópias do bot. No final, o robô estava na frente por uma boa margem.

Criar uma inteligência artificial para o pôquer sempre foi complicado para pesquisadores. Ao contrário do xadrez, o jogo de cartas depende muito do que o outro jogador tem em suas mãos, algo que é desconhecido pelo robô. Portanto, a máquina precisa ir além da matemática e do cálculo de possibilidades, e começar a trabalhar com estratégias.

O Pluribus adiquiriu suas habilidades depois de jogar trilhões de mãos contra versões de si mesmo. Após cada mão, o sistema analisava o que aconteceu e o que poderia ter funcionado melhor – quaisquer melhorias foram adicionadas à sua estratégia central.

Muitos pesquisadores já tentaram criar bots para jogos de pôquer, mas o Pluribus destaca-se por agir estrategicamente em pontos específicos, enquanto outros calculam infinitas possibilidades. Esse método diminui a capacidade de computação necessária e ainda permite uma partida contra um grupo maior de jogadores humanos.

O software é o primeiro a derrotar os melhores profissionais no Texas Hold’em multiplayer sem limites, visto como a forma de elite do pôquer. A máquina também venceu em cenários com uma única cópia de bot, contra cinco profissionais humanos por 10.000 mãos.

A maior parte do trabalho foi em jogos um contra um. Agora, o último grande marco para a IA do poker caiu, diz Michael Littman, professor da Brown University, referindo-se ao modo multijogador. “Este é realmente o fim de um esforço de várias décadas envolvendo muitos pesquisadores”.

A Universidade de Brown começou o projeto Pluribus depois de se juntar ao Facebook, mas ela diz que a gigante de mídia social não tem aplicações específicas para tecnologia em mente. “O objetivo é pesquisa fundamental sobre informações imperfeitas e sistemas multiagentes em grande escala”, diz ele. A longo prazo, as idéias testadas no Pluribus podem ajudar carros autônomos a prever as ações de outros motoristas ou melhorar os algoritmos de detecção de fraude, segundo pesquisadores.

Porém, uma aplicação que o par não tem em mente para o código é ganhar dinheiro no pôquer. “Não vamos liberar o código, em parte porque isso teria um grande impacto na comunidade do pôquer online”, diz Brown. “Estamos tentando tornar isso acessível para as pessoas da comunidade de IA, não para pessoas que querem fazer IAs de pôquer.”

Mas tudo é um grande aprendizado, não só para as máquinas. Depois de perder para a IA, Elias conta que tirou uma boa lição da situação. “Ele (robô) vai apostar duas ou três vezes o pot, algo que os humanos não fazem muito”, diz Elias. “Essas enormes apostas são interessantes para mim e algo que vou incorporar em meu próprio jogo”.

De qualquer forma, o jogador admite um pouco de tristeza. A chegada do Pluribus é um marco histórico para o jogo. “Eu não faço nada além de jogar poker desde os meus 16 anos e dedico minha vida a isso, então é muito humilhante ser espancado por uma máquina”, diz ele. “A primeira vez que a IA vence é a última vez que o humano irá vencer”.

Fonte: Wired

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