huawei contratou hackers a servico do exercito como funcionarios diz estudo - Huawei contratou hackers a serviço do exército como funcionários, diz estudo

Mesmo que a situação nada favorável da Huawei com os Estados Unidos tenha passado após o presidente Donald Trump voltar atrás na ordem executiva que barrava a gigante chinesa de fazer negócios no país, as coisas ainda estão estranhas dentro da segunda maior fabricante de smartphones do mundo: segundo um estudo recente, a Huawei contratou, e segue contratando, ex-membros do exército chinês.

Pelo levantamento feito em conjunto entre a Universidade Fulbright do Vietnã e a organização conservadora de Londres Henry Jackson Society, os ex-militares absorvidos pela empresa tinham, no exército, incumbências específicas de atividades hacker e podem ser implicados em casos de espionagem industrial voltados a empresas ocidentais.

A saber, o imbróglio da Huawei com os EUA começou justamente pela suspeita de que a empresa mantinha laços demasiadamente estreitos com o governo chinês. Os EUA diziam que a companhia chinesa usava suas conexões com o governo e exército para instalar backdoors em equipamentos de telecomunicações vendidos a outras empresas no mundo, embora nenhuma evidência que fundamentasse tal suspeita tenha surgido.


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“Empregados essenciais de nível intermediário contratados pela Huawei possuem forte experiência em trabalhos associados com inteligência, obtenção de informação e atividades militares. [Alguns dos empregados podem ser ligados] a instâncias específicas de hacking e espionagem conduzida contra empresas ocidentais”, enuncia o estudo.

O estudo analisou diversos currículos de funcionários da Huawei, hospedados em bases de dados sem grande proteção ou em repositórios públicos de sites de credenciamento de vagas. Um dos CVs avaliados mostra que o contratado deteve uma posição em uma universidade militar chinesa, sob folha de pagamento do Exército Popular de Libertação (PLA), tendo desenvolvido trabalhos em searas como guerrilha cibernética, eletrônica e espacial.

Outro currículo mostra um funcionário que ocupava posição de representação de uma estrutura governamental responsável por “espionagem e contrainteligência”. Pelo estudo, essa pessoa “demonstrou ações relacionadas à instalação de softwares de captura de informação em produtos e softwares Huawei”.

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Estudo indica que a Huawei contratou funcionários com experiências e relações com o governo e o exército chinês, com atencial especial para expertise em espionagem industrial

“Eu não tenho evidências de que o estado chinês tenha ordenado diretamente a um empregado da Huawei que ele cometesse atos de espionagem ou comportamento similar. Eu digo isso simplesmente porque não tenho nenhuma gravação ou e-mail indicativos de tais ordens”, disse Christopher Balding, professor associado na Universidade Fulbright, que assina o levantamento.

“Entretanto, eu posso dizer que os currículos que analisei falam em comportamentos como interceptação de informações, e também sabemos de casos em que um funcionário da Huawei ocupava posições duplas junto à força estratégica do PLA, que supervisiona a guerrilha eletrônica e outras unidades de combate não-tradicional. Então não posso dizer que eles foram ordenados, mas a referência de posições e comportamentos passados mencionadas em seus currículos são indicativos de tais atos”, ele finaliza.

A Huawei respondeu ao estudo dizendo que não teve como verificar os currículos mencionados e, portanto, não poderia atestar a veracidade das informações: “A Huawei mantém políticas rígidas de contratação de candidatos com experiências militares ou governamentais. Durante o processo seletivo, é exigido que esses candidatos apresentem documentação que comprove o fim de suas relações com o governo ou o exército”.

“Nós encorajamos estudos e reportagens factuais e profissionais na transparência da Huawei. Esperamos que futuras pesquisas contenham menos conjectura quando tirarem as suas conclusões e evitem tantas afirmações especulativas em relação ao que o Professor Balding ‘acredita’, ‘infere’ e ‘não pode descartar’”.

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