Cerca de 40 professores, estudantes e técnicos da Universidade de Brasília (UnB) e de institutos federais de ensino se reuniram na manhã desta quarta-feira (07/08/2019), em frente ao Ministério da Educação (MEC). Munidos de faixas com os dizeres “A comunidade da UnB é contra a privatização. Não ao Future-se“, e “A universidade é de todos. Em defesa da educação”, os manifestantes protocolaram ofício na pasta contra o projeto.

A expectativa, segundo o presidente da Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB), Luis Antonio Pasquetti, era a de que o grupo seja recebido pelo ministro Abraham Weintraub. Mas uma comissão foi autorizada a subir e protocolou sem a presença do chefe da pasta. O ato foi pacífico.

“Hoje a nossa ação é simbólica. Elaboramos esse documento por meio de um comitê em defesa da UnB e da educação pública, após analisarmos o projeto. Temos muitas preocupações em relação às propostas feitas. Especialmente uma delas que nos afeta diretamente. Que é possibilidade de uma Organização Social (OS) ser a gestora das universidades e institutos federais”, disse Luis Antonio Pasquetti.

Camila Tenório Cunha, coordenadora docente do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe-DF), destacou que o momento é de defender as universidades e os institutos federais “porque o programa tem pontos muito críticos que arriscam uma privatização da educação”.

“No Future-se, claramente, o que está em vista é um lucro. Uma não inclusão. Precisamos de investimentos em docentes, em estrutura e isso deve ser público. Se o lucro estiver acima, trabalhamos com uma outra visão de educação que nem sempre vai garantir qualidade”, assinalou.

O coordenador-geral do Sindicato dos Trabalhadores da Universidade de Brasília (Sintfub), Edmilson Rodrigues de Lima, também saiu em defesa do movimento. “Nós, da universidade, achamos que não houve prazo suficiente para o debate. A partir da nossa análise, temos vários questionamentos. Instituições com o porte da UnB precisam permanecer públicas. Precisam ter autonomia administrativa, financeira e acadêmica. O que opinamos é que o MEC meteu os pés pelas mãos”, destacou.

Segundo ele, o projeto não atende às necessidades da comunidade acadêmica. “Precisamos fortalecer essa instituição e não entregá-la de forma gratuita a uma OS que, com certeza, não vai ter as condições que as gestões acadêmicas tem desenvolvido no dia a dia dessas universidades”, acrescentou Edmilson de Lima.

Posicionamento do Consuni

A manifestação ocorreu após o Conselho Universitário (Consuni) da Universidade de Brasília discutir o Future-se. Os presentes na reunião do colegiado, ocorrida na sexta-feira (02/08/2019), concluíram que o programa “compromete a autonomia universitária e desobriga o Estado do financiamento da educação superior pública brasileira, conquista histórica dos movimentos pela educação”.

O projeto de lei (PL) do Future-se prevê, entre outros pontos, a possibilidade de as instituições federais de ensino doarem seu patrimônio para o fundo do programa. “Em caso de dissolução do fundo, os recursos iriam para o MEC. Ou seja, estaríamos contribuindo com algo sobre o qual não vamos exercer nenhuma governança”, resumiu a diretora do Instituto de Ciências Humanas (IH), professora Neuma Brilhante, que leu o relatório elaborado pelo Consuni.

Para o diretor da Faculdade UnB Planaltina, Marcelo Bizerril, “este é um projeto de destruição da pouca autonomia que nós temos, porque propõe a adesão à governança do MEC e a cessão de nosso patrimônio. É o desmonte da universidade pública como ela é em toda a América Latina”, disse. No próximo dia 13, os manifestantes preparam um outro movimento contra o projeto.

 

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