Desde a invenção da escrita, coletamos e processamos informações. Ao longo dos séculos, criamos formas de aproveitar melhor cada dado obtido e, nos anos mais recentes, a tecnologia tem tornado isso mais fácil. E os resultados têm sido melhores do que conseguimos absorver.

No campo da documentação, por exemplo, os conteúdos estão cada vez mais eletrônicos e digitais. Nesse cenário, um dos grandes desafios é a identificação. Fazê-la no mundo online é diferente do que ocorre presencialmente, já que não é possível comparar fisicamente um documento com foto e o indivíduo que ele representa.

E ainda é preciso lembrar que essa identificação não pode ser frágil. Afinal, não se pode permitir que haja repúdio posterior – ou seja, que o cidadão negue depois que efetuou uma determinada operação.

Isso é especialmente relevante, por exemplo, em transações bancárias. Há menos de dez anos, ainda tínhamos muitos comprovantes físicos em papel. Até o cheque era bastante presente. De 2002 para cá, entretanto, a evolução tem sido progressiva no setor e essas operações migraram quase completamente para o ambiente online.

Para tornar a identificação mais confiável nesse ambiente, muitas boas ideias surgiram. Apesar disso, ainda há muitas dificuldades práticas – especialmente quando se usa biometria.

As impressões digitais, por exemplo, são um traço único em cada indivíduo e podem ser usadas para representá-lo. Nem sempre, porém, é possível contar com elas. Isso porque algumas pessoas simplesmente não as têm ou porque seu desenho é muito tênue para ser de fato validado.

Outra opção é o reconhecimento facial. E ele tem uma grande vantagem: como não é intrusivo, se torna mais agradável e é aceito mais facilmente. Por outro lado, ainda não tem efetividade de 100% e pode, então, ser questionado futuramente.

Para garantir uma identificação inquestionável, foi criado o conceito de assinatura digital. Ela é, basicamente, um cálculo matemático complexo que não pode ser adulterado. Se qualquer dado do cálculo for modificado, a assinatura automaticamente se torna inválida, já que não é mais possível obter o mesmo resultado.

E, para efetivamente confirmar esse tipo de assinatura, ela precisa ser associada a um certificado digital. É um processo tão seguro que tem um índice baixíssimo de fraude. Entre os mais de 8 milhões de certificados digitais válidos atualmente, apenas 0,0038% foram atingidos em 2016 e 2017.

Mesmo assim, em comparação com a quantidade de habitantes do país, que já passou os 200 milhões, o número ainda é baixo. E um dos motivos é paradoxal: por segurança, muitos são digitais em alguns aspectos, mas não em outros. Afinal, o mundo se digitaliza mais rapidamente que os cidadãos e essa rapidez dá uma sensação de insegurança.

Outra resposta para a baixa adesão aos certificados digitais é a burocracia. Isso, porém, pode ser mudado com o uso, por exemplo, do blockchain. Afinal, essa tecnologia de blocos encadeados garante que as informações contidas no sistema não possam ser alteradas – assim, a estrutura de acreditação se torna muito forte.

O uso dessas soluções para documentação é um caminho sem volta em todo o mundo e o Brasil é parte da vanguarda. Com o desenvolvimento de novas formas de atestar a segurança delas, é natural que a adoção aumente – por aqui e em outras partes do mundo.

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