Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Estado da Paraíba (MPPB) denunciou à Justiça, nesta segunda-feira (3), 11 pessoas, entre elas dirigentes dos clubes Botafogo da Paraíba e Campinense, pelos crimes investigados na Operação Cartola. A operação foi deflagrada pela Polícia Civil em abril deste ano e desarticulou uma organização criminosa por falsidade ideológica e manipulação de resultados no futebol profissional da Paraíba.

O grupo foi dividido em duas denúncias, que foram distribuídas à 4ª Vara Criminal de João Pessoa. A primeira denúncia se refere a crimes cometidos no âmbito do Botafogo-PB e tem oito pessoas como alvo, e a segunda, com três denunciados, é relativa ao Campinense. Os denunciados são acusados de praticar ilícitos, como fraudes em documentos, em sorteios dos árbitros a serem escalados nas partidas dos jogos, e na própria arbitragem para beneficiar seus clubes.

As investigações têm por objetivo apurar crimes cometidos por uma organização composta por membros da Federação Paraibana de Futebol (FPF), Comissão Estadual de Arbitragem da Paraíba (CEAF), Tribunal de Justiça Desportiva da Paraíba (TJD/PB) e dirigentes de clubes de futebol profissional da Paraíba.

O MPPB requereu a instauração do processo penal contra os denunciados e pugnou pela destituição de todos os réus que ocuparem cargos no Botafogo da Paraíba e no Campinense.

Arquivamento

Além de oferecer mais duas denúncias relacionadas à ‘Operação Cartola’, o MPPB também pediu o arquivamento dos dois inquéritos policiais instaurados para apurar a participação de dirigentes de outros dois clubes profissionais no esquema criminoso: o Sousa Esporte Clube e Treze Futebol Clube.

Segundo o Gaeco, as investigações não demonstraram a materialidade dos crimes apontados e as ilações feitas nos inquéritos policiais trouxeram apenas evidências de autoria, sendo incapazes de motivar uma denúncia ministerial contra os indiciados.

Confira a lista dos denunciados:

  1. José Freire da Costa (‘Zezinho Botafogo’, presidente do clube)
  2. Guilherme Carvalho do Nascimento (‘Novinho’, vice-presidente do clube)
  3. Francisco de Sales Pinto Neto (diretor do clube)
  4. Alexandre Cavalcante Andrade Araújo (procurador do clube)
  5. Breno Morais Almeida (dirigente do clube)
  6. Alex Fabiano dos Santos (empresário)
  7. José Renato Albuquerque Soares (ex-presidente da Comissão de Arbitragem)
  8. Tarcísio José de Souza (árbitro auxiliar)

Denúncias relacionadas ao Campinense

  1. José William Simões Neto (principal dirigente do clube)
  2. Danilo Ramos da Silva (massagista)
  3. Francisco Carlos do Nascimento (árbitro)

Zezinho Botafogo e William Simões disseram que foram informados da denúncia pela imprensa e, por isso, não quiseram se posicionar. Já Alexandre Cavalcanti, vice-presidente Jurídico do Belo, disse estar tranquilo e lembrou que toda a sua participação quanto às orientações para a produção do Boletim de Ocorrência foi feita por prerrogativa de sua função enquanto advogado e dirigente do clube.

G1 não conseguiu falar com Breno Morais, Guilherme Novinho e Francisco Sales até as 20h.

G1/PB

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