Carrinhos de cachorro-quente, barracas de lanches em torno de praças, vendedores de frutas em pontos fixos e volantes, carrinhos de lanches improvisados, vendedores de picolé caixas de isopor, salão de beleza simples nos bairros, vendedores de porta em porta, espetinhos em pontos diversos, dentre outras formas de ganhar o pão, se tornaram comuns aos olhos pela cidade de Patos.

De acordo com Gerônimo Carvalho, diretor do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, seção Patos (IBGE/Patos), a população da cidade está com estimativa de 106.984 habitantes pelos dados de 2018. No site do instituto, com dados de 2016, Patos tem um número lamentável no que diz respeito ao rendimento, pois 41,7% de domicílios vivem com até meio salário mínimo de renda per capita. A proporção de pessoas ocupadas em relação à população total era de 15.3%.

O reflexo do desemprego no Brasil, que atingiu 27,6 milhões de pessoas em 2018, atinge diretamente também a ‘Capital do Sertão’. Esse número é mais estarrecedor se incluídas as pessoas que desistiram de procurar emprego, elas não são contabilizadas nestes milhões de desempregados que pode ser gigantesco quando somados os que ainda buscam com os que desistiram de ter um trabalho formal.

Com o desemprego, crescem os problemas sociais, a desesperança e a aflição. Famílias se desestruturam e a linda canção Guerreiro Menino, de Gonzaguinha, é sempre atual: “…sem o seu trabalho/O homem não tem honra/E sem a sua honra/Se morre, se mata…”.

Para ajudar na grave situação da falta de renda que desestrutura os lares, os governos criaram programas sociais diversos. O mais conhecido entre estes é o Bolsa Família, do Governo Federal, que foi ampliado e fortalecido durante o Governo Lula (PT). Em Patos, o Bolsa Família atende mais de 10.400 pessoas. Edjane Araújo, secretária de Desenvolvimento Social do Município de Patos, relatou que a maioria das famílias vivem com esse recurso e recebem entre R$ 41,00 e R$ 180,00. “É pouco, mas digo que muitas famílias só têm isso para sobreviver e fazem bicos dos mais diversos para complementar a renda”, disse Edjane.

Diante da situação, não tem sido raro encontrar pessoas buscando no lixo algo que sirva para vender. No Bairro Novo Horizonte, o redator desta matéria fez várias fotos com pessoas escavacando as sacolas de lixo nos dias em que existe a coleta. Homens, mulheres e crianças são sempre flagrados.

Para o sociólogo Edval Cajá, a crise do sistema capitalista tem seus altos e baixos, porém, desde 2008, ela está em sua fase mais devastadora e o seu principal reflexo é na relação emprego-consumo que acarreta outros fatores que poucos compreendem. “A desigualdade social gera monstros e nem todos conseguem relacionar isso com a desestruturação que é tão visível nas pequenas e mais ainda nas grandes cidades do Brasil”, revelou Cajá.

 

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