O anúncio da Organização Mundial da Saúde foi feito após a revista científica “The Lancet” divulgar que estaria realizando uma auditoria no estudo que meses atrás mostrou que a hidroxicloroquina não surtia efeito em contaminação da Covid-19 e ainda poderia trazer várias reações adversas severas. O então estudo é usado por profissionais da saúde contra o uso do medicamento.

Recentemente, a Organização Mundial da Saúde havia decidido suspender os testes envolvendo a hidroxicloroquina e a Covid-19, mas voltou atrás após a “The Lancet” publicar que pode ter havido falha durante a pesquisa. Com isso, novos testes serão desenvolvidos a fim de verificar a eficácia, ou não, do fármaco na infecção provocada pelo novo coronavírus.

Ao anunciar a retomada dos testes, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que o quadro executivo dos ensaios Solidariedade, coordenados pela entidade, decidiu continuar a pesquisa com a hidroxicloroquina com base nas informações sobre mortalidade existentes.

“O comitê de segurança e monitoramento de dados dos ensaios Solidariedade revisou os dados. Com base nos dados sobre mortalidade disponíveis, os membros do comitê decidiram que não há motivo para modificar o protocolo do ensaio. O grupo executivo recebeu essa recomendação e endossou a continuidade de todos os braços do ensaio Solidariedade, incluindo hidroxicloroquina”, disse Tedros.

Sem vacina desenvolvida e sem medicamento aprovado pela comunidade científica até agora, o tratamento da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, aqui no Brasil tem sido tema de debates que ultrapassam as barreiras da medicina e chegam a flertar com a política, após o Presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), passar a defender o uso da hidroxicloroquina.

Nesta semana, um grupo de médicos paraibanos passou a assinar uma carta pública pedindo aos municípios que adotem protocolos que permitam o uso de uma espécie de coquetel para tratamento da Covid-19 em sintomas iniciais.

O apelo é uma resposta à postura do Governo do Estado, que não indica a adoção dessa medida, já que até o momento não há comprovação científica na comunidade internacional que mostre a eficácia da hidroxicloroquina, bem como não haver ainda um novo medicamento desenvolvido para tratamento da contaminação pelo novo coronavírus.

Apesar disso, o fármaco hidroxicloroquina, disponível no mercado para tratamento da malária, já é usado em pacientes de diversas cidades do país. Em Campina Grande, por exemplo, a prefeitura estabeleceu protocolo desde o dia 14 de maio, após secretaria de saúde e prefeito tornarem público que o coquetel vinha trazendo bons resultados. Antes da liberação, o gestor diz que houve consulta a especialistas.

O protocolo em exercício na cidade de Campina Grande prevê o uso do medicamento em pessoas com sintomas suspeitos ou infectadas no estágio inicial, mas não deve ter uso generalizado. Os casos devem ser analisados isoladamente e são necessárias prescrição médica e autorização do paciente. Outros critérios como não inclusão de grávidas, cardiopatas e outras condições especiais também são observadas. De acordo com a gestão municipal, a medida objetiva evitar o colapso do sistema de saúde.

A comprovação de que o medicamento pode surtir efeito na segunda maior cidade do estado, e que é referência para cerca de 1,2 milhão de pessoas de 70 cidades, pode ser vista através dos números de letalidade no município. Divulgado na noite de ontem, o balanço mostra que Campina Grande registrou, até o momento, 2.006 infectados. Desses, 36 morreram e 1.519 já estão recuperados. A taxa de letalidade, portanto, é de 1,7%. Na Paraíba, esse índice é de 2,5%; No Brasil, 5,4%, e no mundo, 5,9%.

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