A estudante Tereza Gomes, 23 anos, de João Pessoa, teve a conta no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) hackeada e foi inscrita no curso de produção de cachaça, no Instituto Federal de Ciência e Tecnologia do Norte de Minas Gerais (IFNMG).

No período de inscrição do Sisu, Tereza tentava aprovação para o curso de medicina, mas na sexta-feira (27) viu que estava longe da aprovação – mesmo tirando nota mil na redação – e parou de acessar o sistema. “É um absurdo, fiquei muito nervosa”, destacou.
O IFNMG, no perfil oficial no Facebook, reprovou a ação de hackers e exigiu respeito ao curso de produção de cachaça, oferecido na cidade mineira de Salinas. “Tanto os alunos quanto o curso Produção de Cachaça merecem o nosso respeito. Para quem não sabe, Salinas é uma cidade do Norte de Minas reconhecida mundialmente pela produção de cachaça, e o curso é o único do país oferecido por instituição pública na área. Quem tirou nota mil pode cursar o que quiser. Afinal, quem é nota mil terá sucesso em qualquer área. E a cachaça de Salinas é nota mil!”
Em nota, o Ministério da Educação esclareceu que “os sistemas do MEC e do Inep não registraram, até o momento, indício de acesso indevido a informações de estudantes cadastrados, que configure incidente de segurança”.

Tereza foi uma das 77 pessoas que conseguiram nota mil na redação em todo o Brasil, no entanto, o desempenho geral não foi suficiente para conseguir a aprovação no curso de medicina. Mesmo assim, a estudante manteve a inscrição nas duas opções para medicina, mesmo sabendo que não teria chance de ser aprovada.
Na noite de segunda-feira (30), Tereza recebeu uma mensagem de uma pessoa desconhecida na rede social Facebook com um print da lista de aprovados em um outro curso, incluindo o nome dela. No momento, achou que era montagem e não se preocupou.
Nesta terça-feira (31) recebeu a notícia de que sua conta teria sido invadida e que seu nome estava mesmo na lista do curso de produção de cachaça, no IFNMG. “Imagina se eu tivesse média para passar para medicina? Além disso, prejudicou quem queria esse outro curso”, refletiu.
Sobre o caso em questão, o MEC diz que “consta nos registros do Sisu acessos nos dias 24 e 29 de janeiro, respectivamente, às 12h15 e 22h12. O sistema também apresenta três tentativas de acessos sem sucesso (nos dias 24 de janeiro, sendo dois deles às 20h06 e o último às 20h07). A única opção de escolha de curso que consta é a de Produção de Cachaça […], realizada no dia 29 de janeiro às 22h14, conforme consta no último acesso registrado no Sisu”.

Fonte G1 PB

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